Em minha companhia
Naquela manhã me vi num jardim, saboreando as flores, a minha companhia, a sombra, o dia.
Me observei num mundo novo, acordando a vida que estava adormecida em mim.
Fiquei mil anos no mesmo espaço. Sentia e ressentia as mesmas coisas. Procurava lugares, buscava as mesmas pessoas, nada acontecia; não saia do lugar. Vivia um cansaço profundo de não ter sido olhada, nutrida, de só me doado e sentir que nada voltava. Me esvaziei de mim mesma.
Não sabia como pensar, perceber e agir diferente. Só tinha a coerência que precisava mudar e, para isso o que fazia sentido era desconstruir para construir novamente, diferente, com mais unidade comigo. Seria verdadeiro, simples e coerente como eu buscava ser.
Até ali parece que agia deslocada do que via agora e que me era importante. Me conduzia de acordo com o olhar do outro. Sim, ele tanto penetrou em mim que me deixou fusionar por ele.
Deslocar era o primeiro passo para essa mudança e depois começar, pouco a pouco, pensar por mim mesma.
Naquele sonho despertei num lugar singular, me senti diferente, inteira, feliz... Que lugar/estar estranho me encontrava. Olhava para os lados e não desvendava, somente me sentia parte daquilo, inteira e feliz. E isso me fez ver que era possível diferente me encontrar.
Ressoava em mim a maestria do Universo, o canto dos pássaros. Era inteira ali, no lugar simples onde estava.
Me tele transportei para outras paradas. Num universo novo nasci em mim. Fiquei longas décadas no mesmo passo, na mesma jornada. Para poder hoje enxergar diferente, para mudar o caminho que desejava trilhar, mas principalmente para me transformar de dentro para fora com a força da mudança a me metamorfosear.
De repente acordei dentro de mim e foi encantador.
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