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Cuidar e cuidar-se, por onde começar?

Neusa Picolli Fante

Cuidar e cuidar-se, por onde começar?

 

Existem pessoas que querem chamar atenção, o tempo todo. Outras em alguns momentos, outras ainda não possuem essa necessidade.

São indivíduos que possuem uma brecha interna, que os faz desejar ser importantes, serem vistos, notados. Mesmo tendo um lugar de valor na vida do outro não reconhecem e desejam mais.

Nunca estão satisfeitos suficientemente. Falta um pouco mais de afeto, de atenção, de carinho.

Querem suprir todas as lacunas que consideram importantes na vida do outro e não percebem que essas lacunas abertas estão presentes em si; na sua vida.

Sem desanimar, cuidam do outro. Talvez nem sentem falta ou não desejem olhar para si. Não aprenderam a se olhar e não desistem de fazer em prol do outro. Esquecem de si, pois só construíram olhos para o que acreditam que o outro necessite.

Será que o que chamo de falta de amor do outro, não é carência minha?

A minha carência faz com que eu puxe pra perto pessoas, que talvez eu não deseje, mas preciso tê-las próximas a mim, para ilusoriamente me sentir amada, acolhida, fazendo sem pestanejar.

Para ser importante, se não na minha vida, ser parte da vida e da história de alguém...

Como modificar esse caminho, transformar a direção dos meus cuidados?

Necessito virar o espelho para mim, pois cuidar antes do outro, distorce meu olhar. Não me parece que o fluxo do cuidado passe por ali, pois como vou aprender amar o outro se ainda não me amo?

Sei, no entanto, que se cuido de mim, também cuido do outro, no verdadeiro sentido de saber até onde posso e devo ir, para amparar sem invadir. E sem fazer por ele o que considero o melhor, não o que ele necessita, na ordem maior dos acontecimentos.

Assim agindo cuidando primeiro do outro, como fico?

Antes precisamos perceber que amor e carência podem ser colocados cada um no seu tempo e de uma maneira na nossa vida... Amor tem limite, isto é, quem ama dá limite ao outro – eles nos ajudam crescer e a nos desenvolver. Já a carência necessita ser percebida, adentrando no nosso íntimo e acolhendo todos os momentos que sozinhos, em momentos difíceis, nos encontramos. E assim seguir o caminho do autoconhecimento.

Quem cuida, primeiro do outro, necessita aprender a cuidar-se antes disso. E assim seguimos.

 

Sobre o autor

Neusa Picolli Fante

Psicóloga Clínica e Especialista em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto. Graduada em Comunicação Social.  Autora do livro Caminho dos Girassóis: Uma abordagem sobre o luto, Dor sem Escuta, Entrelinhas da Vida, Quintais da Minha alma.

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