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A caixa de lápis de cor

Jaime Bettega

Sempre gostei de ver crianças pintando com lápis de cor. Todas as pinturas são bonitas. O ato de pintar tem um toque de divino, a partir de mãos humanas. Quem sabe colorir, também sabe amar. Cores e amores não estão distantes. Pelo contrário, se encontram nos cenários do mundo. A escola deveria ter mais tempo destinado às artes. Todos os alunos, dos diferentes anos, poderiam carregar na mochila uma caixa de lápis de cor ou um conjunto de canetinhas coloridas. A impressão que se tem é que o exercício de pintar está restrito somente aos primeiros anos de escola. Pessoas crescidas, exceto as que desenvolveram seus talentos, desconhecem a importância de colorir, de desenhar, de harmonizar tonalidades. Quem sonha entende de cores, pois os próprios sonhos quase sempre são de um colorido extraordinário, de uma harmonia que transcende o cotidiano.

De uns tempos para cá, os vários setores das ciências humanas, de um modo especial da saúde, resolveram criar cores para determinados meses. É praticamente do conhecimento de todos que o outubro é rosa, o novembro é azul. A cor rosa inspira e alerta quanto ao cuidado para com a prevenção do câncer de mama. A tonalidade azul traz presente o universo masculino e a importância de fazer o exame da próstata. Ultimamente resolveram, de forma criativa, usar o amarelo para colorir o mês de setembro. Imediatamente é possível recordar do semáforo, com suas três cores: verde, amarelo e vermelho. O verde libera a passagem, o vermelho impede, por uns instantes, a continuação do trajeto e o amarelo pede cuidado e atenção. O amarelo do mês de setembro quer despertar uma maior atenção das pessoas quanto ao crescente número de suicídios. Não são poucas as pessoas que, diante de pequenos ou grandes problemas, desistem de viver, interrompem a trajetória, cessam os sinais vitais, deixam de respirar.

Todos os meses poderiam ter uma cor em especial, contanto que a vida não deixasse de ter o colorido da vibração, da gratidão e do encantamento. A monotonia e a solidão têm roubado as tonalidades das diferentes idades. Além disso, o diálogo praticamente foi excluído da vida familiar, muitas amizades são apenas de aparência ou de interesse. Sem falar que a espiritualidade se transformou em pronto socorro: a maioria lembra da importância da oração, somente quando está vivenciando uma dificuldade. Ao longo dos dias, ninguém deveria ficar sem usar, de tempos em tempos, a caixa de lápis de cor ou o conjunto de canetinhas. É urgente colorir os dias, incrementar os detalhes, abraçar o arco-íris, dedicar-se a uma causa de amor ao próximo. Ninguém foi feito para a solidão, nem para ficar simplesmente acumulando coisas materiais. Um dia, após entendermos o valor da vida, poderemos acrescentar mais cores ao mês de setembro. Junto com o amarelo do alerta e do cuidado, outras cores confirmarão o quanto é maravilhoso viver. Mas enquanto esse dia não chegar, que possamos voltar nosso olhar aos que estão tristes e desanimados, para ofertar ternura e aconchego. Viver é simplesmente fantástico.

   

Sobre o autor

Jaime Bettega

Frei capuchinho, natural de Caxias do Sul, RS. Formado em Filosofia, Teologia e Administração de Empresas. Pós-graduado em Gestão de Pessoas e Administração, com enfoque na Espiritualidade nas Organizações, mestre em Ética Organizacional.
 

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