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Subsídios exegéticos para a liturgia dominical - ano A - 03/05/2020

por João Carlos Romanini

4º Domingo da Páscoa

Foto: Divulgação

Subsídios exegéticos para a liturgia dominical - Ano A

 

Dia: 03 de Maio de 2020

4º Domingo da Páscoa

Evangelho: João 10,1-10

Primeira Leitura: Atos 2,1.4a. 36-41

Segunda  Leitura: 1 Pedro 2,20b-25

Salmo: 23,1-3a.3b-4.5.6 (R.1)

 

João 10 é bem conhecido pelo peso teológico que tem a imagem do “Bom Pastor” (10,11). Mas, há outra imagem menos celebrada de Jesus dentro deste texto, a qual é a imagem central nestes primeiros dez versículos. A partir da figura do “aprisco” ou “curral”, Jesus se apresenta como “a porta”. Como veremos no comentário, esta imagem cristológica representa uma ênfase dentro da grande mensagem do novo pastorado proposto por este Quarto Evangelho

O texto dentro do Quarto Evangelho

O texto se situa no chamado de “Livro dos Sinais” (1,19-12,50). Dentro desta parte, podemos situá-lo no conjunto formado pelos capítulos 7 a 12 que é marcada por controvérsias com a teologia dos teólogos de Jerusalém, que é denunciada através da acusação aos “ladrões” e “assaltantes” (10,1.8) em oposição àquele que pastoreia e que dá vida em abundância (10,10).

Tecido do texto: a nova porta que supera a velha religião excludente.

O texto de João 1,1-10 apresenta num tecido cuidadosamente entrelaçado ao redor da imagem da porta que aparece nos versículos 1, 7 e 9. Assim podemos estruturar a parábola em três etapas:

1ª Etapa – A falta de percepção por parte da comunidade de Jesus sobre o sentido da porta que leva ao novo pastorado, distinto dos pastorado dos ladrões, assaltantes e estranhos (v. 1-6).

2ª Etapa – “Jesus, pois, lhes afirmou de novo (...) eu sou a porta” (v.7) e nova denúncia de ladrões e assaltantes (v.8).

3ª Etapa – O “Eu Sou” através da imagem da porta, traz vida em abundância e supera definitivamente o sistema “ladrão” (v. 9-10).

O que se quer afirmar é a nova proposta oferecida por Deus em Jesus (“Eu Sou”) resgatando, nesta linguagem, a apresentação de Javé a Moisés no Êxodo (3,14). A apresentação que caracteriza o Quarto Evangelho (“Eu Sou”) aqui se aplica a um conflito com “todos os que vieram antes de mim” (v.8a). Estes são os “judeus” como religião dominante que não aceita o caráter inclusivo das novas comunidades do amor onde pessoas também judias, junto a samaritanas e de outros povos. Este sistema religioso dominante é acusado de usar a fé para roubar a vida do povo. É uma apropriação sutil, porque as pessoas que seguiam Jesus, mesmo excluídas pela religião dominante, tinham dificuldade de entender o sentido da parábola (v.6). A nova “voz” do pastor acolhe cada pessoa pelo seu nome (que na antiguidade significa sua identidade completa, todas suas características) e por isso essa voz é reconhecida e seguida. Assim, o texto proclama uma nova porta de entrada para a vida a partir de Deus revelado em Jesus.

Relacionando com os outros textos

Esta nova porta de uma fé que acolhe todas as pessoas, em oposição à fé que exclui e discrimina, se manifesta publicamente, para todas as pessoas, através do Espírito Santo (Atos 2,1-4a). Jesus, o crucificado pela aliança entre a religião dominante e o poder dominante, segundo o discurso de Pedro (2,36), oferece agora uma nova porta de entrada através do batismo por, onde todas as pessoas podem entrar, e onde todas tem a mesma dignidade como filhas e filhos, portadoras e portadores do mesmo Espírito Santo. Já a Primeira Carta de Pedro, dirigida às pessoas “sem teto”, refugiadas, perseguidas, lhes anuncia que, em Cristo, o Crucificado “em nosso lugar” (1 Pe 2,21b) pode-se viver a justiça. E que, embora sofrendo a exclusão pelo poder dominante, elas são “ovelhas” deste Cristo que é “bispo e pastor” de suas vidas!

 

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

 

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