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Dra. Ivana Bataglin destaca violência de gênero no âmbito familiar

por Eduardo Cover Godinho

Mesmo com o rigor da lei Maria da Penha, mulheres seguem sendo agredidas no Brasil. Casos chocam e surpreendem as autoridades

Dra. Ivana trouxe diversas preocupações de violência doméstica para o debate com o público em Guaporé
Foto: Eduardo Cover Godinho

Sucesso. Assim descreve-se a palestra realizada pela Promotora de Justiça Dra. Ivana Bataglin, promotoria dos Direitos Humanos de Porto Alegre, no Centro de Tradições Gaúcha (CTG) Última Tropeada na sexta-feira, dia 28 de abril. O espaço estava completamente lotado em sua grande maioria por mulheres que foram em busca de conhecimento e explicações para a violência doméstica que ainda atormenta e assusta o público feminino. Mesmo com a rigidez da Lei Maria da Penha, que está em vigor desde 2006, a cada 15 minutos uma mulher é morta no país vítima de maus tratos cometidos pelo seu esposo, ex-parceiro, amante, namorado ou conhecido. A palestra teve como tema “Violência de Gênero na sua perspectiva Histórica e Cultura” e fez parte do projeto “Trabalhando as faces da violência contra a criança como forma de prevenção”, que está sendo desenvolvido no Lar da Criança Primo e Palmira Pandolfo pela estagiária do curso de Serviço Social da Universidade de Passo Fundo (UPF), Jéssica Bressan Muniz.

A promotora explicou que, infelizmente, as mulheres ainda sofrem diariamente violência psicológica e física dentro do ambiente doméstico e por diversas vezes sofrem caladas sem denunciar os agressores para as autoridades da segurança pública ou órgãos exclusivamente voltados ao atendimento a elas.

“Nós temos que falar sobre o machismo. Nós precisamos falar sobre a violência contra as mulheres e meninas porque há necessidade de encararmos o problema de frente. A violência psicológica é a pior, porque antecede a física. Não existe violência física sem a psicológica. Então elas estão sempre atreladas. Às vezes as mulheres/meninas estão tão fragilizadas que não conseguem reagir, não consegui se defender adequadamente e justificam aquele tapa e acabam defendendo o agressor. Na maioria dos casos a mulher se sente culpada e acha que provocou. Porque? Porque ela já sofreu a violência psicológica suficiente para se sentir culpada, responsável por aquilo e achar que o agressor teve suas razões. Em muitos os casos as mulheres não denunciam porque não se percebem vítimas, por vezes por medo de retaliação, porque dependem economicamente do agressor para sustentar aos filhos e se sentem culpadas pela violência que sofrem. São inúmeros os motivos que levam elas a permanecerem no relacionamento”.

Segundo a Dra. Ivana, a única situação que se pode ter certeza absoluta que não é motivo para que uma mulher permaneça no relacionamento abusivo é que ela gosta de apanhar. Ninguém, afirma a promotora, gosta de sofrer violência.

“Quando uma mulher permanece no relacionamento abusivo a única coisa que ela não precisa é ser julgada. A única coisa que ela não precisa é que os familiares, vizinhos e amigos apontem o dedo na cara dela e digam que está no relacionamento porque gosta, quer ou merece. Na verdade, a mulher quando chega nesse estágio precisa de ajuda. Ela pode demorar uma semana, um ou 10 anos para sair dessa relação. É dever nosso, como Estado (MP/RS, TJ/RS e polícias) ajudá-la”, afirmou.

A palestrante salientou que a família, como local sagrado de proteção para todos, é um mito muito perigoso. A família não é só um lugar de proteção, muito pelo contrário. A família pode ser um local de intenso sofrimento.

“Temos que resgatar na verdade a noção de humanidade e a bondade em si mesma”.

Dra. Ivana Bataglin afirmou que é comum os casos de denúncias de agressões contra mulheres, porém, na hora de representar as vítimas retiram a acusação e na maioria das vezes voltam a se relacionar com os agressores.

“Eu costumo dizer: quanto mais machucada uma mulher está, mais provável que ela retorne a relação violenta. Infelizmente. É difícil julgar uma mulher porque não nos colocamos no lugar dela. Ao contrário, nós imaginamos o que faríamos se estivéssemos ali, mas a gente não está no lugar dela. A gente não passou pelo processo que ela passou. É certo: quanto maior o tempo de permanência de uma relação, maior a probabilidade que ela estar retornando a conviver com o agressor.”.

A palestra contou com a presença de diversas autoridades municipais, entre elas o prefeito Fabris e o vice Adalberto Bastian, além de secretários da municipalidade e vereadores. Representantes da Associação São Carlos, coordenador da Rede Scalabriniana de Comunicação Padre Alexandre Biolchi e o Pe. Joel Ferrari, também estiveram prestigiando a palestra.

 

Doações

Mais de 450 pessoas estiveram presentes no evento. Durante a atividade, como forma de inscrição e colaboração, os participantes entregaram alimentos não-perecíveis para os organizadores. Todo o arrecadado, segundo a diretora Lucena Faccin a quantia de 554 Kg, será utilizado na alimentação das 98 meninas de 5 a 14 anos que frequentam o Lar da Criança Primo e Palmira Pandolfo no turno inverso ao da escola.

Central de Conteúdo Unidade Rede Scalabriniana

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