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Os muros do capitalismo

Miguel Debiasi

A política capitalista na década de 80 articulou ampla frente de países e grupos econômicos para pôr fim ao sistema socialista. O símbolo da vitória é a derrubada do muro de Berlim. A queda do muro de Berlim em 1989 pôs fim à separação da Alemanha e representa a rejeição do sistema socialista. Porém, a vitória do capitalismo não é garantia de superação da sua crise. A crise do capitalismo é interminável.

Hoje, após 30 anos da queda do muro de Berlim, o capitalismo aprofunda sua crise econômica e política. Uma crise econômica que gera uma grande e crescente migração global. Diante isto, a elite global profere um discurso político de ódio, intolerância, fundamentalismo, nacionalismo contra enorme população órfã de um Estado e Nação. O muro de Berlim que dividiu a Alemanha por 28 anos é símbolo da bipolarização de uma disputa política pelo controle econômico do mundo.O fato é que após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Alemanha transformou-se num país de disputa política, ideológica e econômica da chamada Guerra Fria.

Na prática, a Alemanha Oriental ou República Democrática da Alemanha alinhava-se ao bloco de países socialistas. Alemanha Ocidental ou República Federal da Alemanha alinhava-se ao bloco de países capitalistas. Por conseguinte, os blocos políticos mundiais associavam-se a organizações militares. A Alemanha Ocidental tomava parte na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a Alemanha Oriental integrava-se ao bloco militar Pacto de Varsóvia. Com estas alianças reforçou-se a disputa e os embargos econômicos, políticos e militares não somente entre as duas Alemanhas, mas do mundo. A disputa econômica era entre dois sistemas – capitalismo e socialismo. A unificação da Alemanha na década de 90 representa o fim do modelo socialista, prova que em 1991 a União Soviética foi dissolvida.

Em razão desta política imperialista o muro de Berlim representa mais que uma disputa de controle econômico e político do mundo, é símbolo do fracasso do século XX. A triste verdade, a política imperialista promoveu a maior atrocidade da humanidade, duas Guerras Mundiais, deixando milhares de mortos e nações inteiras na pobreza. A divisão do mundo em dois blocos é fruto do fracasso do capitalismo atestado pela crise de 1929, conhecida como A Grande Depressão. A Grande Depressão é considerada a maior crise e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Em consequência desta política imperialista as pessoas eram impedidas de saírem de um país ao outro. O mundo dividiu-se em duas ilhas e cruzar as fronteiras tornou-se um problema diplomático.

A queda do muro de Berlim foi comemorada pelo mundo como símbolo da liberdade. Hoje a humanidade não pode ignorar e muito menos tutelar a ideia de construir novos muros. Donald Trump, presidente dos EUA, chegou ao comando do país mais poderoso do mundo defendendo a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes. Com efeito, por não obter aprovação do Congresso e liberação de recursos públicos na quantia de 5,7 bilhões de dólares, cerca de 21 bilhões de reais para a construção do muro, Donald Trump ameaça o mundo com medidas econômicas.

Nas ameaças econômicas Donald Trump está dizendo que vai recorrer a todos os recursos políticos e jurídicos para a construção do muro. Com isso, o presidente americano tende a operar uma guerra fria entre nações; impor abusos e sanções aos direitos humanos reconhecidos pelos órgãos internacionais; punir por embargos econômicos países subdesenvolvidos; suspender acordos bilaterais com os países que acolhem os imigrantes; sufocar as vozes da democracia com autoritarismo; implantar uma política nacionalista desconsiderando acordos internacionais como a redução da poluição, do aquecimento, do efeito estufa, etc.

Isso, obviamente, não é uma atitude isolada de Trump, mas da política econômica neoliberal global que exige um mercado mundial sem restrições e comercialização de qualquer produto livre de barreiras nacionais. A política econômica liberal é uma verdadeira hipocrisia. Por um lado, exige absoluta liberdade que um produto seja comercializado em qualquer canto do mundo. Por outro lado, endurece leis de imigração e restringe o direito ao nivelamento da população subdesenvolvida e órfã do Estado-Nação. Este é, entre os muitos, um dos muros do capitalismo do século XXI.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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