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Subsídios Exegéticos para Quanrto Domingo do Tempo Comum

por João Romanini

Domingo 19 de Dezembro 2021 - Ano C

Foto: Divulgação

LITURGIA DOMINICAL - ANO C

 

4º Domingo do Advento

Dia 19 de dezembro de 2021

Primeira Leitura: Mq 5,1-4a

Salmo: 79, 2ac.3b.15-16.18-19

Segunda Leitura: Hb 10,5-10

Evangelho: Lc 1,39-45

 

O Evangelho

O evangelho deste domingo apresenta alguns pontos importantes da teologia de Lucas. O primeiro deles é a presença das mulheres. Ao longo do terceiro evangelho encontramos: Isabel, a profetiza; Ana, a viúva de Naim; a pecadora arrependida; as mulheres que acompanhavam Jesus desde a Galileia até a Ressurreição e, é claro, Maria. Todo o relato lucano da infância de Jesus (Lc 1–2)  está centrado na Mãe do Salvador. Mateus, ao contrário, prefere José (Mt 1,18-25).

Outro ponto importante para a teologia de Lucas é o anúncio da chegada do Reino de Deus, cujo início é marcado pela vinda de Jesus, o verdadeiro Salvador. Isso cria um clima geral de alegria (1,14.41.44.58). Até a saudação do anjo insiste nisso: 1,28: “Alegra-te, cheia de graça”! Em todo o evangelho há termos e acontecimentos de júbilo: 10,20.21; 19,6.37; 24,52. A consequência desta alegria é a paz: 2,14.29; 19,38.42; 24,36.

A alegria e a paz são os frutos da oração e da união íntima e pessoal com Cristo Salvador. Para Lucas, o presente é o tempo da Salvação, isto é, o Reino de Deus já chegou. A Lei e os Profetas foram a preparação, o cumprimento se deu em Jesus, mas é a Igreja quem prolonga este cumprimento. Por isso, na obra de Lucas (Evangelho e Atos) a história de Jesus se transforma na história da Igreja, pois o mesmo Espírito dirige não somente Jesus, mas também todos os que trilham o mesmo caminho do projeto salvífico de Deus, já desde o Antigo Testamento, até hoje: os profetas, Maria, João Batista, Jesus, os discípulos, a Igreja atual.

O episódio conhecido como “a visitação de Maria a Isabel” (1,39-48) ocorre imediatamente após a Anunciação: Maria vai correndo ajudar sua prima nos três últimos meses da gravidez. Por que a pressa? A pressa de Maria reflete sua obediência ao plano que o anjo lhe havia revelado, um projeto divino que inclui a gravidez de Isabel (1,36-37). A chegada de Maria leva alegria: como um profeta extático do Antigo Testamento, a criança estremece de alegria no ventre de Isabel. Esta, por sua vez, reconhece não apenas a grandeza de Maria (“mãe do meu Senhor”), mas também a sua fé (“tu acreditaste”).

Devemos ressaltar a atitude de Maria: após ficar sabendo que seria a mãe do Messias, ela não quer ser servida, mas parte imediatamente para servir. A viagem entre Nazaré e a cidade em que mora Isabel (Ain Karen), não é curta: são mais de 100 km de distância! No mundo antigo, ninguém empreendia uma viagem dessas sozinho; muito menos uma mulher. O habitual era agregar-se a um grupo que percorria as rotas caravaneiras. No caso de uma mulher, deveria haver algum homem da família para acompanhá-la.

Pouco tempo depois do nascimento de João, Maria empreende a viagem de volta, outra caminhada de 100 km. O que já seria difícil para uma mulher se torna ainda mais complicado e perigoso para grávida!

Estes detalhes muitas vezes nos escapam, pois imaginamos tudo de modo poético e devocional. Embora o autor do evangelho economize estes detalhes, ele não os descarta. Seus leitores devem ter todos eles na consciência para compreender mais profundamente a finalidade do relato da visitação: demonstrar que quem acolhe a Palavra de Deus coloca-se a serviço, sem levar em conta os desafios e as exigências.

As palavras de Isabel ao receber Maria foram assumidas na oração da Ave Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu útero” (v. 42). Isabel proclama que Maria foi especialmente abençoada por Deus, mas não necessariamente que ela seja a mais abençoada das mulheres com efeito. Na Bíblia, há outras mulheres que também são reconhecidas como pessoas que receberam uma graça particular. Assim Jael (Jz 5,24) e Judite (Jdt 13,18): duas mulheres que assumiram grandes riscos para realizar a vontade de Deus.

Além destas duas formas de reconhecimento de bênção, Isabel também proclama uma bem-aventurança: “Bem-aventurada a que acreditou, pois se cumprirão as coisas que lhe foram faladas pelo Senhor” (v. 45). Esta é uma das várias bem-aventuranças da Bíblia. Devemos notar que Maria é bem-aventurada, não porque está grávida, mas porque as promessas de Deus serão cumpridas. Ela aceitou assumir as dificuldades decorrentes do “sim” e ainda fez viagem longa. A bem-aventurança completa o que já estava implícito na fórmula de proclamação de bênção: Maria é bendita e bem-aventurada porque tem coragem e age com esperança.

As palavras de Isabel convidam os cristãos às mesmas atitudes de Maria, particularmente no tempo de Advento, já na preparação próxima ao Natal: que tenhamos não apenas fé “em” Maria, mas a mesma fé “de” Maria, isto é, que tenhamos a mesma fé que Maria teve, para assumirmos com disponibilidade, coragem e esperança os riscos que o nosso compromisso com Deus traz para nossa vida cotidiana.

 

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

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