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Família De Bona investe no cultivo de uvas cobertas

por Eduardo Cover Godinho

Dos oito hectares de videiras plantadas na propriedade, 1,2 ha recebe tratamento diferenciado na produção. Investimento supera os R$ 200 mil

Figueiredo (E) e Clausen De Bona (D) analisam os cachos e as plantas debaixo do parreiral
Foto: Eduardo Cover Godinho

Parte da imensidão verde dos parreirais está sendo substituída pelo branco do plástico na propriedade dos De Bona, localizada na Comunidade Ernesto Alves – Distrito do Colombo, na zona rural de Guaporé. A família, composta por Celso De Bona, 54 anos, Vânia Saurin De Bona, 55 anos, e Clausen De Bona, 32 anos, deu início em 2017 ao cultivo de uvas pelo sistema de produção coberto. Dos oito hectares de videiras plantadas, das mais diversas variedades e algumas exclusivas na região, 1,2 ha recebe tratamento diferenciado em uma espécie de estufa. O investimento, para alcançar melhor qualidade no sabor da fruta com a aplicação menor de agrotóxicos ao longo do processo de produção, supera a casa dos R$ 200 mil.

Empolgado, Clausen De Bona, que optou por permanecer e investir na agricultura familiar enquanto muitos jovens migraram para a cidade, afirmou que a cobertura impermeável, com sistema integrado de irrigação, tende a aumentar a produtividade dos parreirais nas próximas safras. Ele, que ao lado do pai e da mãe, têm trabalhado incansavelmente para ver o negócio crescer, salientou que a lida no campo é dura, mas muito gratificante.

“Investimos, através do apoio e incentivo dos profissionais do Escritório da Emater/Ascar-RS de Guaporé, para que pudéssemos oferecer para os consumidores uma uva com maior qualidade. A tendência, acredito que em um futuro não tão distante, é que os produtores rurais efetuem a cobertura dos seus parreirais. O investimento, em um primeiro momento é pesado, mas estamos cientes que haverá aumento na produtividade e menos aplicação de produtos considerados nocivos à saúde. Consequentemente vamos diminuir os gastos com a aquisição dos agrotóxicos e aumentar o valor agregado na venda direta da fruta aos consumidores e estabelecimentos comerciais”, disse.

Para a cobertura de parte do parreiral (são cinco variedades de uva que estão protegidas), a família investiu na aquisição de uma lona plástica especial com 150 micras – passa maior quantidade de luz e retém o calor. O uso de cobertura protege as folhas e cachos da incidência direta da chuva e, consequentemente, reduz as condições que favorecem o desenvolvimento de doenças fúngicas. A impermeabilidade funciona como uma espécie de guarda-chuva sobre a videira e os fungos não têm como se instalar, já que não há água livre sobre as plantas. Todas as ações do tempo, além da chuva, ficam protegidas. Mesmo assim, o manejo é diário, afirmou Clausen.

“O cuidado com o parreiral (limpeza e raleio) praticamente é o mesmo na produção tradicional. O manejo é diário e quanto mais, melhor a qualidade da fruta. Temos que cuidar da planta, dos cachos, e do solo. Mas gostamos de trabalhar debaixo das videiras e isso nos gratifica. É o primeiro ano no sistema coberto e acredito que vamos continuar desenvolvendo e investindo cada vez mais. O objetivo é ampliar a área coberta. Um passo de cada vez e sempre com os pés no chão”.

Entre as variedades de uva produzidas na propriedade dos De Bona estão Isis e Núbia (lançamentos da Embrapa), Itália (Branca), Isabel, Francesa, Niágara (Rosa e Branca), Moscato Hamburgo, Black Magic e Rubi (Vermelha).

“Nos casos específicos da Isis e da Núbia, lançamentos da Embrapa, os cachos são grandes, consistentes e saborosos. O sabor da fruta é neutro. Inclusive a variedade Isis é sem semente. Mas, como a comunidade poderá perceber no mercado, os cachos estão bonitos. A expectativa no cultivo da uva está sendo superada”, destacou.

Segundo De Bona, na primeira safra, que está sendo colhida agora, serão cerca de 7 a 8 mil quilos comercializados. A tendência é que haja aumento gradativo nas próximas, podendo chegar a produção em 20 mil quilos. Para estocar a colheita, antes da venda, a família adquiriu uma câmara fria com excelente capacidade de armazenagem.

 

Incentivo

Foram meses e meses de estudos e debates, junto aos profissionais da Emater/Ascar-RS – Escritório de Guaporé, até que a família De Bona decidisse investir na cobertura de parte das videiras. O extensionista rural, Tiago Figueiredo disse que a entidade trabalha com diversos programas para que os jovens permaneçam investindo nas propriedades da zona rural.

“A agricultura, como eu sempre digo, é uma aposta, é uma loteria a céu aberto. Sempre corremos o risco de, ao longo de todo o ciclo, sofrer com as condições climáticas. Mas os investimentos para o crescimento da produtividade nas mais diversas culturas têm que ocorrer. No caso da propriedade dos De Bona, foi investido pesado na cobertura, na irrigação e na câmara fria. A irrigação, em especial, garante o enchimento de grãos nas épocas de escassez de água. Estão de parabéns. Estamos dando todo o suporte necessário para que a safra possa render bons frutos, tanto nos cachos, quando na questão econômica, para a família”.

O extensionsta ressaltou que a plasticultura tem se disseminado entre os produtores brasileiros, em especial na Serra Gaúcha.

“O cultivo protegido nas mais diversas culturas está ganhando espaço. Em Guaporé, além da família De Bona, há mais dois produtores que estão com esse sistema de cobertura. Acreditamos que outros irão aderir e a Emater é parceira no estudo para que os investimentos sejam certeiros. O primeiro segredo para o sucesso é gostar do que se faz e percebemos que cada vez mais que os agricultores guaporenses estão buscando aprimorar suas propriedades rurais. Isso nos faz acreditar que eles amam o que fazem. O trabalho debaixo do parreiral é árduo, mas quando se faz com amor e carinho os resultados aparecem, como podemos perceber aqui na família De Bona”, destacou Figueiredo.

A produção dos De Bona está sendo comercializada nos estabelecimentos comerciais (supermercados e fruteiras) do município. Também é possível comprar diretamente. Basta visitar a propriedade da família na Comunidade Ernesto Alves – Distrito do Colombo. Lá, com certeza, serão bem-vindos e recepcionados com muito amor e carinho por todos.

Central de Conteúdo Unidade Rosário

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