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Vocação da família cristã

Miguel Debiasi

Qual é a vocação da família cristã? Em 2014 o papa Francisco convocou um sínodo para refletir sobre a vocação da família cristã na Igreja e na sociedade contemporânea. Os bispos debateram a questão através da Assembleia Geral Extraordinária (2014) e a Assembleia Geral Ordinária (2015). Destas Assembleias nasceram documentos que são indicativo pastoral da Igreja junto às famílias. Sem sombra de dúvida, trata-se de um desafio da Igreja entender e valorizar a vocação da família cristã contemporânea.

O primeiro fruto do sínodo da família é o documento chamado relatio Synodi, ou relatório do conselho. Em 2016, inspirado no sínodo, o papa Francisco lançou a exortação apostólica Amoris letitia ou alegria do amor. Os documentos apresentam a vocação da família cristã numa tríplice atitude: a) A escuta da realidade da família hoje, na perspectiva da fé, com a complexidade das suas luzes e das suas sombras; b) O olhar sobre Cristo, para voltar a considerar com renovado vigor e entusiasmo a revelação, transmitida na fé da Igreja; c) O confronto no Espírito Santo, para discernir os caminhos com os quais renova a Igreja e a sociedade no seu compromisso a favor da família cristã fundada no matrimônio entre homem e mulher.

No entanto, além destes documentos é preciso ressaltar que a reflexão e o processo de preparação das Assembleias Geral Extraordinária e Ordinária foram enriquecidos com a participação de casais. A intuição do pontífice de convocar bispos e casais foi pensando justamente que o anúncio do Evangelho diz respeito diretamente à vocação da família. Para o papa, mais que realizar um estudo da realidade e dos problemas da família cristã em tempo contemporâneo, foi a clara consciência que ela é chamada por Deus a viver sua vocação missionária.

A mais esclarecida consciência e o entendimento da vocação da família cristã perguntam pela natureza do matrimônio. A resposta da vocação do matrimônio veio da Sagrada Escritura. A vontade de Deus revela-se desde o ato da criação: “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Gênesis 2,24). O próprio Cristo atualiza a vontade de Deus Pai: “Mas desde o princípio da criação ele os fez homem e mulher. Por isso o homem deixará o seu pai e a sua mãe e os dois serão uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o homem não separe” (Marcos 10,6-9). Nisto está para a Igreja o sentido original do matrimônio, bem como a sua natureza de unidade e de indissolubilidade.

O ensinamento bíblico a respeito da vocação da família cristã é atualizado pelo Concílio Vaticano II que diz: “ventre de alegrias e de provocações, a família é a primeira e fundamental escolha da humanidade” (GS, 52). Assim, o Magistério da Igreja, fiel à sua missão, anuncia com profunda convicção que as famílias cristãs são enviadas como discípulos missionários (GS, 120). Noutras palavras, a família fiel ao Evangelho volta a descobrir-se como agente imprescindível para a evangelização na sociedade contemporânea.

Em sua exortação Amoris Letitia o papa Francisco diz: “O Evangelho da família nutre também as sementes que perderam vitalidade, de modo que, partindo do dom de Cristo cheguem a um conhecimento mais rico e a uma integração plena deste mistério na sua vida” (n. 76). Isto é, somente com um profundo olhar ao mistério de Cristo o homem e a mulher descobrem a profunda verdade e sentido do relacionamento matrimonial e da missão da família cristã. No amor entre o Pai e o Filho descobre-se o sublime dom da vocação matrimonial. É oportuno compreender a relação amorosa entre o Deus Pai e Deus Filho. Isto em tempo moderno, sendo a chave para o bem dos esposos, a força da unidade indissolúvel e da missão da família.

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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