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O fraterno compromisso com o outro

Miguel Debiasi

A Igreja é comunidade. A comunidade torna possível a Igreja, afirma o Magistério da Igreja e a Teologia. Jesus Cristo escolhe discípulos para constituir a comunidade dos cristãos (Mateus 4,18-22). Os cristãos, por vocação, são chamados a constituírem comunidade de fé. Fé e vida cristã ganham sentido na comunidade de Jesus Cristo que é a Igreja.

Em 2013 a Igreja do Brasil propôs conversão pastoral para transformar a paróquia num espaço de vida comunitária. A motivação teológica para a conversão pastoral vem da natureza da Igreja de Jesus Cristo, ser comunidade. A paróquia é espaço primordial para os cristãos viverem a vida comunitária, mediante a escuta da Palavra e pela celebração da fé (Atos dos Apóstolos 2,42-45).

O papa Francisco em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, a Alegria do Evangelho, diz que o mundo vive “na crise do compromisso comunitário”. A realidade atual está num processo de desumanização e desencadeia graves situações ao ser humano sob o comando da economia da exclusão e da desigualdade social. O modelo econômico neoliberal mata. No jogo de competitividade é a lei do mais forte, o fraco tende a ser morto. Na economia da idolatria ao dinheiro o ser humano é objeto de consumo, algo a ser usado, descartável e jogado fora como resto, resíduo, sobras, lixo. É a lógica da condenação do homem.

O sistema que investe as economias em benefício do desequilíbrio social não condiz com o projeto de Jesus Cristo, com o Reino de Deus. A lógica do consumo é contrária à lógica do amor ao próximo. Ambição ao poder e ao dinheiro não tem limite, fragiliza qualquer ambiente social, comunitário. Esta lógica rejeita a ética cristã e contrapõe-se à proposta de Deus. Somente um solidário compromisso com o outro pode reverter esta lógica, colocar a economia e o dinheiro para servir a vida das pessoas. Algo cabe à Igreja, aos cristãos e ao ser humano que deseja outro mundo, solidário e fraterno.

Neste sentido, para o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) é preciso acreditar na comunidade como espaço de “obrigação fraterna, de partilhar as vantagens entre seus membros, independente do talento ou importância deles”. Os bem-sucedidos e poderosos vivem refugiados em suas escolhas mapeadas pelo consumo e dinheiro. Os empobrecidos, na ausência de solidariedade, se tornam impotentes e totalmente excluídos da sociedade.

É preciso contrapor-se à atual sociedade que vive da política da diferença. O reconhecimento das pessoas está associado ao dinheiro, à estética. Na comunidade estética, dos bem-sucedidos, o compromisso é com o sucesso dos negócios, da indústria, advindo da tecnologia e da massificação do povo. Para estes a fé está na prateleira, nos produtos para o consumo. Na comunidade ética, dos empobrecidos, a solidariedade pode constituir uma rede de responsabilidade e de compromissos. Para estes a fé está na solidariedade. Acreditar em Jesus Cristo faz olhar para o outro e agir pelo bem do próximo. É a missão do cristão.

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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