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Cidade: casa e lugar da Igreja de Cristo

Miguel Debiasi

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para o período de 2019 a 2023, com um atencioso olhar ao mundo urbano. Na história do cristianismo a cidade foi o berço do desenvolvimento da fé cristã. Agora, os bispos do Brasil entendem ser necessário à Igreja um zelar maior com a cidade, consequentemente com a cultura urbanizada e o ser humano urbano. O desafio parece ser imprescindível e muitíssimo exigente.

O primeiro elemento a destacar sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para o próximo quatriênio é sua comunhão e alinhamento com o pontificado do papa Francisco. Basicamente, toda reflexão das Diretrizes Gerais baseia-se nas exortações apostólicas do papa Francisco. A mais citada é a Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho), seguida da Gaudete et Exsultate (sobre o chamado à santidade no mundo atual), da ChristusVivit (para os jovens e para todo o povo de Deus), da Amoris laetitia (sobre o amor na família), da Laudato si’ (louvado seja, cuidado com a Casa comum), da Misericordiae Vultus(o rosto da misericórdia), e da Lumen Fidei (sobre a fé).

Na comunhão com o papa Francisco os bispos do Brasil mantiveram também fidelidade às decisões do Concílio Vaticano II, destacando três documentos Gaudium et Spes (sobre a Igreja e o mundo), Lumen Gentium (sobre a Igreja), Ad Gentes (sobre as missões). Por consequência, as Diretrizes Gerais continuam a reflexão da V Conferência Geral Episcopal Latino-Americana de Aparecida (2007). Quanto à referência às exortações do papa Francisco, indica que seu pontificado faz a diferença, sobretudo por convocar os bispos a construírem a Igreja pobre e fiel à missão de Cristo. Quanto às referências ao Concílio Vaticano II e da Conferência Geral Episcopal Latino-Americana de Aparecida, as novas Diretrizes Gerais avaliam a necessidade de uma conversão pastoral ao ponto de identificar a Igreja Comunidade de comunidades.

Contudo, o elemento novo das Diretrizes Gerais é a atenção à cidade. A Igreja, vocacionada a evangelizar, é chamada a voltar-se preferencialmente para as pessoas urbanas. Um chamado a estar presente em todas as dimensões da vida urbana, de preferência junto às periferias por meio de muitas maneiras e práticas, como encher-se de compaixão pelos pobres, a exemplo de Jesus (Mateus 9,36). A Igreja fiel à caminhada de Cristo tem a missão de acolher, contemplar, discernir e iluminar com a Palavra de Deus a vida urbana das pessoas. Nesta perspectiva, indicam a organização do ambiente urbano através de pequenas Comunidades Eclesiais Missionárias para que favoreçam as pessoas na acolhida do Evangelho de Cristo.

Por sua vez, a Comunidade Eclesial Missionária é caracterizada pela experiência da casa. A casa como lar, espaço de comunhão da família e das pessoas, com base na experiência dos primeiros cristãos como indica São Lucas (Atos dos Apóstolos 2,42-47). Essa experiência de fé em Cristo da primitiva comunidade dos cristãos sustenta-se nos pilares: do ouvir a Palavra de Deus, de partilhar o pão de cada dia, de praticar a caridade com os mais necessitados e do compromisso permanente com a missão de anunciar o Reino de Deus.

Segundo as Diretrizes Gerais a fidelidade à missão de Cristo de anunciar o Reino de Deus exige da Igreja na cidade a experiência da Comunidade Eclesial Missionária. Acreditar em Jesus Cristo em contexto urbano requer compromisso de a Comunidade Eclesial Missionária fazer casa espaço de reunião e de desenvolvimento da fé cristã. Dessa forma, a casa é a extensão da comunidade dos cristãos que por ela se manifestam como discípulos e missionários de Jesus Cristo, a luz única para pessoas e povos (João 14,6).

Em contexto de cultura urbana, logo, de nova mentalidade sobre a vida e a religião, não se pode generalizar ou cair na tentação de achar que todas as cidades e pessoas são iguais. A cada contexto urbano, outra experiência eclesial deve ser possível e necessária, quando no envolvimento dos cristãos. Dessa forma, os cristãos são chamados à diaconia, ao serviço pela fé em Cristo. No dizer de São Tiago apóstolo “a fé, se não tiver obras, está morta em seu isolamento” (Tiago 2,17). Em suma, os bispos do Brasil veem a cidade como casa dos cristãos e lugar da Igreja, espaço de renovação da vocação cristã.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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