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Inquérito Policial Concluído: “A intenção cabal era matar a companheira”, afirma Polícia Civil de Guaporé

por André Fabio Bresolin

Acusado foi indiciado por feminicídio triplamente qualificado, homicídio duplamente qualificado e lesão corporal

Crime vitimou Camila Biessek Estevan, 28 anos, e Cláudio Nestor Biessek, 58 anos
Foto: Arquivo

A agilidade nas atividades do setor de investigação da Delegacia de Polícia Civil (DP), de Guaporé, fez com que o Inquérito Policial (IP) do caso de maior repercussão em 2019, duplo homicídio cometido por um conhecido professor de artes marciais no Rio Grande do Sul, fosse concluído e remetido à Justiça em menos de 10 dias. O crime, que vitimou Camila Biessek Estevan, 28 anos, e Cláudio Nestor Biessek, 58 anos, aconteceu no dia 27 de dezembro, por volta das 20h, no bairro Conceição. O IP, após rápida ação dos agentes e trabalho incansável dos delegados Tiago Lopes de Albuquerque e Norberto dos Santos Rodrigues (titular da DP de Marau), foi finalizado no dia 6 de janeiro. Nas páginas, depoimentos de vítimas, testemunhas e policiais militares, fotos, análises dos peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) do caso, e o indiciamento do acusado das mortes. Detalhes e novas revelações que surpreendem pela brutalidade.

“Tínhamos, ainda na noite e madrugada que aconteceu o crime, a ordem cronológica dos fatos. Porém, nos faltavam alguns elementos e o depoimento de uma das vítimas (mãe de Camila) – ferida no ombro e na mão, que elucidaria em partes a motivação para a crueldade cometida pelo homem”, destacou o delegado Norberto, que acompanhou o caso “in loco” nas férias do colega Albuquerque.

Cronologia da tragédia

O crime, segundo Rodrigues, foi premeditado.

“Não restam dúvidas para a Polícia Civil que o homem estava com intenção de matar a namorada”.

Ao chegar na residência da família Biessek, o homem iniciou uma violenta discussão com a namorada. O motivo, destacam as testemunhas, era o ciúme doentio que ambos nutriam um pelo outro. Eles estavam juntos há menos de um ano, porém, a intensidade como viviam o relacionamento chamava a atenção. Os gritos ecoaram na redondeza e a mãe de Camila, que reside no imóvel onde a tragédia aconteceu, foi verificar a situação e acudir a filha. Ali, sem motivo aparente, levou duas facadas.

“Não tínhamos esse elemento na época do crime. Mas a mãe de Camila foi a primeira vítima. Ela foi agredida com uma facada no ombro e outra na mão”, disse o delegado.

Na sequência, ao ouvir os gritos de socorro e pedidos de ajuda, o tio de Camila e irmão da primeira vítima, Cláudio N. Biessek, que preparava-se para ir a uma farmácia comprar medicamentos para o pai, correu para auxiliar. Sem nenhuma arma em mãos, diferente do que havia sido constatado na noite do fato (informações desencontradas davam conta que estaria com uma arma branca em mãos), Biessek chamou a atenção do agressor. Este, em momento de fúria e descontrole, partiu para cima e desferiu alguns golpes de faca em direção à vítima.

“O tio tentou fugir, tropeçou e caiu, sendo agredido covarde e brutalmente no chão, vindo a morrer no local. Neste momento, Camila fugiu. Correu por cerca de 50 a 60 metros na via pública, mas foi alcançada pelo namorado”, contou Norberto Rodrigues.
Durante a perseguição à companheira, o professor de artes marciais ainda agrediu um jovem. O homem, que tentou segurar o agressor, acabou levemente ferido na barriga.

“Além dele ter sido agredido, infelizmente não conseguiu impedir a morte de Camila. Ela levou diversas facadas (quatro no total) e morreu na calçada, junto a uma residência. Uma situação que ficou muito clara para a Polícia Civil era a intenção cabal de matar a companheira. Tinha o intuito de desferir as facadas e levar à morte a namorada. Estava decidido naquela situação”, afirmou o delegado Norberto Rodrigues.

Conforme o IP, testemunhas ouvidas pelos policiais civis destacaram que antes de cometer os crimes, o homem estava em seu estabelecimento (academia). Ele, que aparentava estar ‘tranquilo’, ganhou carona até a residência da família Biessek para encontrar-se e conversar com a namorada.

“Estava armado com faca. Premeditou todos os fatos. Foi de uma violência desproporcional e desacerbada, inclusive com pessoas que quiseram impedir/intervir na briga com a namorada”.

Após matar Biessek e Camila, além de ferir a sogra e um homem que tentou impedir a tragédia, o agressor cravou a faca no próprio peito. Ele, conforme o delegado, ainda ameaçou a mãe da namorada de morte.

“Percebemos um grau de violência e agressividade deste indivíduo. Buscamos, nas dependências do Hospital Manoel Francisco Guerreiro pós atendimento, se ele gostaria de dar sua versão sobre o crime. Porém, se manteve em silêncio e somente irá dar sua declaração em juízo”.

Conclusão

Na conclusão do IP, o acusado dos crimes, que está recolhido na Penitenciária Estadual do Apanhador, em Caxias do Sul, foi indiciado por feminicídio triplamente qualificado, homicídio duplamente qualificado e lesão corporal.

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