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Violência contra as mulheres gera preocupação na Delegacia de Polícia Civil, de Guaporé

por André Fabio Bresolin

Delegado da DP de Guaporé credita o aumento nos registros de ocorrências à coragem das mulheres

Conforme o delegado, os agentes chegam a atender de dois a três casos de mulheres que foram ameaçadas ou agredidas por semana
Foto: Divulgação/AGPT/Fotos Públicas

Os órgãos de segurança pública, em especial Brigada Militar e Polícia Civil do Rio Grande do Sul, estão preocupados com o crescimento nos indicadores de violência contra as mulheres. Conforme dados divulgados pela Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), 10 mulheres foram mortas no mês de janeiro de 2020, contra três no mesmo período do ano passado. Nos 497 municípios gaúchos, quatro indicadores apresentaram cenário positivo. As tentativas de homicídio sofreram redução de 44 para 32, as ameaças diminuíram de 3.765 para 3.359, as lesões corporais caíram de 2.116 para 2.083 e os estupros passaram de 184 para 134.
Guaporé, que encerrou 2019 com um feminicídio no dia 27 de dezembro, contabilizou ao longo dos doze meses do ano passado 74 registros de ameaça, 27 lesões corporais e dois feminicídios tentados. Em 2020, no primeiro mês do ano, os dados apontam para o crescimento em dois indicadores. As ameaças cresceram de sete para 12 (71%), enquanto as lesões passaram de uma para duas (100%). Não há registros de estupros e feminicídios consumados.

O delegado titular da DP de Guaporé, Tiago Lopes de Albuquerque, credita o aumento nos registros de ocorrências à coragem das mulheres em denunciar os agressores e não mais ficarem caladas dentro dos lares.

“Ao mesmo tempo que o número nos preocupa, demonstra que as mulheres têm cada vez mais procurado a Polícia Civil para relatar as situações de violência que sofrem, sobretudo no interior das suas residências. Estamos dando uma atenção especial aos casos de violência contra as mulheres e procuramos cada vez mais humanizar o atendimento na Delegacia de Polícia Civil de Guaporé”, disse Albuquerque.

Conforme o delegado, os agentes chegam a atender, dependendo do dia da semana, de dois a três casos de mulheres que foram ameaçadas ou agredidas pelos companheiros.

“Percebemos que, na grande maioria dos registros, há o envolvimento de bebida alcoólica e geralmente as mulheres procuram ajuda nas segundas-feiras. É aos finais de semana, quando o consumo de álcool aumenta, que a violência doméstica, provocada por vários fatores conjugais, acontece dentro dos lares”, lamentou o delegado.

O número de mulheres que sofrem violência, seja ela física ou psicológica, pode ser bem maior do que o contabilizado pelas autoridades da segurança pública. Muitos casos não são registrados por medo de possíveis novas agressões, dependência afetiva e econômica, por falta de confiança nas instituições públicas responsáveis pelo enfrentamento da violência contra a mulher e porque muitas vítimas não tendem a ter apoio familiar para denunciar o agressor.

“Quanto mais frágil, mais desprotegida e sem recursos é a mulher, mais dependente se apresenta do companheiro. A dificuldade em se sustentar e sustentar os filhos faz com que ela se mantenha na relação sem manifestar o que é sofrido. A violência doméstica se prolonga no tempo, infelizmente. É difícil para a mulher, que sofre violência psicológica e acaba sendo diminuída por anos, denunciar o companheiro sem que consiga apoio dos familiares e amigos. Os registros de violência doméstica são crescentes e iniciam com uma simples calúnia, injúria, difamação, perturbação, acabam evoluindo para as agressões físicas e podem culminar com o feminicídio. Alertamos as mulheres para que não esperem algo de mais grave acontecer para denunciar”, destacou Albuquerque.

A DP de Guaporé, conforme o delegado, está sempre à disposição das mulheres para ouvi-las e prestar todo o atendimento necessário.

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