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Quarto Domingo do Tempo Comum

por João Romanini

Subsídios exegéticos Liturgia dominical - Ano B - 31 de janeiro de 2021

Foto: Divulgação

Quarto Domingo do Tempo Comum

Dia: 31 de janeiro de 2021

Primeira Leitura: Dt 18,15-20

Salmo: 94,1-2.6-9

Segunda Leitura: 1Cor 7,32-35

Evangelho: Mc 1,21-28

 

No Evangelho de Marcos, Jesus inicia sua atividade em público com um exorcismo. Marcos inicia a perícope com dados situacionais: Cafarnaum, sábado, sinagoga. No v. 22 é constatado o ensinamento cheio de autoridade de Jesus e a reação de quem o escuta. No entanto, nada se diz sobre o conteúdo do ensinamento. É nítido o contraste/confronto com o ensinamento dos escribas. A autorizada doutrina de Jesus, que ultrapassa a doutrina dos escribas, pode fundar-se sobre o fato que Jesus fala por autoridade direta, enquanto que os escribas simplesmente explicam a Lei e a tradição.

Os vers. 23-28 contam uma clássica história de exorcismo, cujos elementos essenciais são: entrada em cena do endemoninhado, tentativa de defesa, ordem e expulsão por parte do exorcista, saída do espírito impuro e reação afirmativa das pessoas presentes.

Os personagens em ação são Jesus, o espírito impuro e aqueles que estão presente na sinagoga. O homem endemoninhado é como que um coadjuvante do espírito impuro que o possui. Aos discípulos se faz alusão somente na frase inicial como acompanhantes de Jesus.

É digno de nota que aquilo que o espírito impuro reconhece é justo, Jesus é “o Santo de Deus”. O reconhecimento se torna uma revelação. A expressão “santo de Deus” pode ser encontrada também em Lc 4,34; Jo 6,69 (cf., ainda Dt 7,6; Jz 16,17; 2sm 17,18; Sl 105,16; Sb 11,1). A pergunta subentendida é: basta reconhecer o senhorio de Jesus? Ecoa o convite do salmista: “não endureçais vossos corações” (Sl 94,8).

O grito se articula em repulsa--profissão de fé (vers. 23-24) e suplício (v.26; comparar com 9,26). Ao espírito impuro é ordenado de manter para si a sua consciência sobre Jesus. Sobre a epifania se baixa o véu do mistério.  Marcos nos convida a cotejar os gritos do espírito impuro (vers. 23-24.26) com a voz de comando de Jesus (v.25). A dessemelhança é reveladora. Esta diferença faz compreender a intenção de apresentar Jesus, conectado à imagem veterotestamentária, como o senhor da natureza e das forças que nela operam.

O fato que os espíritos impuros reconheçam Jesus constitui uma característica usual em Mc (3,11; 5,7). A pergunta “o que há entre nós e ti?” contém aspecto de repulsa que é formal e recorrente no Antigo Testamento (Jz 11,12; 2Sm 16,10; 1Rs 17,18; 2Rs 9,18).

A referência à vinda de Jesus (v.24) é geral e não diz respeito somente à sua chegada na sinagoga de Cafarnaum. A sua missão tem como meta a aniquilação do ser demoníaco.

A reação dos presentes na sinagoga é de surpresa e admiração. O raro ethambēthēsan (“ficaram estupefactos”), pode descrever também o espanto dos discípulos por uma palavra de Jesus (10,24.32). O novo ensinamento, dotado de autoridade e confirmado pela multidão (v.27), se manifestou na obediência dos espíritos impuros ao comando de Jesus. A reação torna transparente o conjunto do relato: ele se apresenta como história de missão, enquanto na reação confluem em um único gesto a assembleia da sinagoga e a assembleia cristã missionária. Também a difusão da fama de Jesus na circunvizinhança vai entendida como notícia relacionada à missão.

O texto do Dt mostra que os judeus esperavam um Messias que fosse como um novo Moisés. “As palavras de Deus em sua boca” (Dt 18,18) evidenciam o paralelismo entre Jesus e Moisés.

Para Mc a autoridade da palavra de Jesus aparece referendada pelo o fato de estar acompanhada por ações poderosas. A ação torna explícita a palavra. A história do exorcismo deve ser lida com esse pano de fundo. A derrota dos espíritos malignos anuncia que chegou o senhorio de Deus.

 

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

 

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