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Capitel São Roque e Escola José Alberto Lucatelli são tombados como patrimônio público

por André Fabio Bresolin

Ato de tombamento foi efetivado na noite da terça-feira, dia 10 de dezembro, após um longo processo burocrático

“Povo sem memória, povo sem história! Preservar o patrimônio histórico e cultural é um dever da comunidade e dos seus governantes! Sabendo de onde viemos, construímos uma estrada mais segura para o futuro! ”A comunidade São Roque/Distrito de Colombo, ao longo dos tempos, especialmente nos anos de 2018 e 2019, buscou revitalizar estruturas arquitetônicas que, com o passar dos anos, seriam “apagadas” da história, mas não da memória de muitos guaporenses. Sob liderança do agricultor e entusiasta da valorização do lugar Sérgio Ortolan, da família Locatelli e incentivo do engenheiro agrônomo do Escritório da Emater/Ascar-RS Antônio César Perin, os moradores arregaçaram as mangas e reestruturaram o Capital São Roque e a Escola Brizoleta, denominada José Alberto Lucatelli.

Sob proposição do vereador Antônio Pandolfo (PDT), com apoio unânime do Poder Legislativo, um processo para que as estruturas, construídas há mais 60 anos, fossem declaradas “Patrimônio Histórico de Guaporé” foi iniciado e, na noite da terça-feira, dia 10 de dezembro, após um longo processo burocrático, foi efetivado o ato de tombamento, que reuniu autoridades da Administração Municipal, Câmara de Vereadores, representantes de entidades rurais e cooperativas de crédito, imprensa, alunos e professores da Brizoleta e a comunidades guaporense, em especial as famílias Ortolan, Locatelli, Ecco, Pessato, Martineli, Marchiori, Galiassi, Biolchi e Minúsculi. Cerca de 150 pessoas participaram da solenidade.

Doada pela família Locatelli, a área onde estão localizadas a Escola José Alberto Lucatelli e o Capitel São Roque entra para a história e para a memória viva da comunidade guaporense. O ato marca um novo tempo. Simboliza a valorização da história, da educação e da fé do povo. Perin, incansável batalhador para que haja mudança de cultura e visão das comunidades rurais quanto a recuperação do patrimônio histórico afirmou que Guaporé faz história ao preocupar-se com seu passado.

“Louvável o ato, que muitas vezes as pessoas não valorizam, que é a recuperação da memória de um lugar e a valorização da história. A comunidade nos procurou, demostrou interesse na revitalização do Capitel e da Escola Brizoleta, e, de forma clara, destaquei que era extremamente importante por se tratar da simbologia de uma época. E, por conta própria, eles se mobilizaram e revitalizaram as duas estruturas e entregaram para o Município. Esperamos que no futuro, essa atitude respeitosa com o nosso passado, torne-se política pública para valorizar as comunidades do interior”, destacou Perin citando que Guaporé possui 31 comunidades na zona rural, sendo 25 que ainda estão “vivas”.

A comunidade São Roque na época da construção das estruturas, além da doação da área de terra, doou materiais e mão de obra. Mais de 400 pessoas, que passaram pelos ensinamentos das professoras Sílvia Ortolan (1ª) e Silvana Locatelli (última), entre outras, foram educadas na Escola, construída em 1960. Muitos estiveram na solenidade e ouviram a secretária Veridiana afirmar que Brizola promoveu uma grande revolução na área educacional, deixando grandes ensinamentos que estão sendo seguidos pelo Governo Fabris e Bastian.

“Sei que muitas famílias participaram diretamente do processo de construção na época e na sua restauração. Eu pergunto: quantas pessoas se doariam pela educação nos tempos de hoje? Me encanto por saber que muitos se doaram de coração ao longo de décadas e grandes cidadãos foram formados neste espaço. Defender a educação na época do Brizola não era fácil, foi um ato revolucionário o que o governador promoveu. Nós, ao assumirmos a secretaria no Governo, buscamos investir fortemente na educação. Estamos dia a dia criando políticas públicas para avançar. Cuidar desse espaço como algo simbólico é dizer que seguimos com investimentos nas escolas, abrimos novas vagas e pensamos na alfabetização. Custa muito. São R$ 25 milhões para o Município de Guaporé por ano, mas nós acreditamos, assim como essa comunidade acreditou”, disse Veridiana.

A secretária Cristiane, que no ato oficializou o tombamento das estruturas, afirmou:

“Grande momento para a história de Guaporé. Todos fizeram sua parte na revitalização e no tombamento das estruturas arquitetônicas, não só pela preservação da memória, mas pelas gerações futuras que precisam conhecer a história e respeitar o passado. É um momento importante e nós, do Poder Público, em especial do Conselho Municipal da Cultura, nos sentimos felizes em contribuir com esse processo”.

Ao abrir seu discurso, o prefeito Fabris leu um pensamento de Leonel Brizola que destaca: “A educação é o único caminho para emancipar o homem. Desenvolvimento sem educação é criação de riquezas apenas para alguns privilegiados”. Ao longo do pronunciamento citou os investimentos na área em Guaporé.

“Um governo que não luta para dar poder ao povo, através da educação, não merece o cargo que ocupa. Ver essa Brizoleta revitalizada, tombada patrimônio de nossa comunidade é um alerta diário de que essa bandeira é nossa! Ontem, hoje, amanhã! É uma sentinela que nos alerta diariamente que não podemos desviar do caminho certo. Junto da Brizoleta, o nosso Capitel. Símbolo de uma fé que sempre foi alicerçada no trabalho. Nenhum de nossos antepassados rezou pelo progresso, pelo desenvolvimento, sem pegar uma enxada ou plantar uma semente. Tombamos hoje símbolos da crença e do trabalho de nosso povo. E precisamos manter esse simbolismo vivo, de pé, contando a história que nos trouxe até aqui! Inspirando os que virão! Criando um povo com memória viva, que honra sua história e está preparado para construir o que virá! Uma estrada precisa ser construída de passado, presente e futuro”.

No encerramento do ato, a primeira placa do educandário, restaurada pelo artista Josué Cristóvão Benvegnú, foi novamente instalada, simbolizado o momento histórico. A cerimônia contou ainda com a apresentação dos hinos da Legalidade e de Guaporé, nos acordes dos músicos guaporenses Douglas e Nicolas Severo.

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