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Emater, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Poder Público analisam perdas nas lavouras do milho, soja e uva

por André Fabio Bresolin

Em dezembro de 2019, com o forte calor que atingiu o sul do Brasil, choveu apenas 78 milímetros

Conforme Figueredo e Marcolin, mesmo com perdas significativas nas lavouras, não há, num primeiro momento, a intenção do município em encaminhar a declaração de “Situação de Emergência”
Foto: Eduardo Cover Godinho

Reunidos na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), em uma tarde de muito calor, representantes do Conselho de Desenvolvimento Rural de Guaporé (Comderg), Poder Público Municipal, Emater/Ascar-RS, STR, lideranças das 32 comunidades da zona rural e agricultores, estiveram analisando a situação das lavouras do milho (grãos e silagem), soja e uva. Estas culturas, somadas às outras atividades do campo, foram as mais atingidas pela estiagem que há dois meses assola o Rio Grande do Sul. As perdas, apesar de não serem muito expressivas na contabilidade geral do município, preocupam e, mais do que isso, desanimam aqueles que debaixo do sol forte, do tempo instável e do rigoroso frio do inverno gaúcho, estão trabalhando na terra para colocar o sustento na mesa da população.

Durante o encontro, o extensionista rural agropecuário, Tiago Oliveira Figueredo – Emater/Ascar-RS Guaporé, apresentou aos presentes, inclusive representantes de instituições bancárias e cooperativas financeiras de crédito, um levantamento do índice pluviométrico e das perdas nas lavouras. Desde a terceira semana do mês de novembro, a chuva é irregular e bem abaixo da média histórica. Em dezembro de 2019, quando uma onda fortíssima de calor atingiu o sul do Brasil, choveu apenas 78 milímetros. Não diferente acontece em janeiro.

“A falta de chuvas em determinadas semanas, em especial para os produtores rurais que plantaram o milho em setembro, tem prejudicado a floração e o enchimento dos grãos. A quebra da safra em algumas propriedades será de 70 a 100%, infelizmente. Porém, a média no município deve ficar em torno de 25% a 30% de perdas nas lavouras”, disse Figueredo.

A área plantada de milho (grãos) no município é de 2,4 mil hectares (ha). A expectativa no plantio, conforme levantamento da Emater, era o plantio de 8,41 mil kg/ha. Agora, com os novos dados apurados, não deve ultrapassar 6,72 mil kg/ha. Em desenvolvimento, destacou Figueredo, está 70% da área plantada, 15% em floração e 15% em enchimento de grãos. No milho silagem, a situação não é muito diferente. São 1,2 mil ha plantados, com expectativa de 60 mil kg/ha. A estiagem derrubou a projeção para 46,75 mil Kg/ha. Apenas 10% da área havia sido colhida. O restante está em germinação, em desenvolvimento vegetativo (35%), floração (30%), enchimento de grãos (15%) e maduro para colher (10%). O evento climático, salientou o extensionista agropecuário, trará um prejuízo de aproximadamente de 25% na cultura do milho (grãos e silagem).

Na soja, conforme dados, há uma área plantada de 3,4 mil há. O rendimento, na expectativa do plantio, girava em torno de 3,6 mil Kg/ha, porém, a estiagem derrubou para 3,2 mil kg/ha. São 10% a menos de soja por ha. As perdas não são maiores porque parte da safra está ainda em desenvolvimento vegetativo (90%), 5% em floração e 5% em enchimento de grãos. A uva, outra cultura que apresenta prejuízos, contabiliza 260 ha de área. São esperados 20 mil kg/ha. A quebra, destacou o presidente do STR, Fernando Marcolin, deve ser de 25%.

“Estamos ao lado dos produtores rurais neste momento de dificuldades. Ouvimos relatos de perdas significantes nas lavouras, sejam elas de uva, soja e milho. Porém, a falta de água afeta também os animais, as plantações para subsistência e os próprios agricultores que necessitam deste bem para o consumo. Não são prejuízos somente financeiros, mas emocionais. Qual produtor, depois de ver sua lavoura destruída pelo fator climático, tem ânimo de voltar a preparar a terra para novamente plantar? É difícil. Mas vamos erguer a cabeça e continuar lutando”, disse

Marcolin, que também vive e depende da produção primária.

Decreto de emergência

Conforme Figueredo e Marcolin, mesmo com perdas significativas nas lavouras, não há, num primeiro momento, a intenção do município em encaminhar a declaração de “Situação de Emergência” junto à Defesa Civil do Rio Grande do Sul.

“Estamos analisando a situação e, pelo apresentado, não há como solicitar o pedido. As perdas nas lavouras, num contexto geral, não são alarmantes para chegarmos a esse ponto. Se encaminharmos o pedido e posteriormente os técnicos fizerem uma avaliação e não fomos enquadrados, como ocorreu em anos anteriores com alguns municípios que foram ‘no calor do momento’, corremos o risco de ficarmos marcado e queimados”, disseram

Providências

Conforme as lideranças do setor primário, os produtores rurais que possuem financiamento junto às instituições bancárias devem: contabilizar perdas de 30% do valor financiado; comunicar o banco; levar em mãos todas as notas; plantio no mesmo local que foi informado no croqui; não colher a lavoura sem a devida liberação.

“Após o encaminhamento, a Emater fará uma vistoria na lavoura e elaborará o relatório de comprovação de perdas”, disse Figueredo.

O Poder Público, através do vice-prefeito Adalberto Bastian e do secretário da agricultura Hélio Bresolin, se colocou à disposição dos produtores e continuará monitorando, assim como a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, Comderg e STR, a gravidade da situação junto com as entidades parceiras.

“O setor primário representa quase 25% do arrecadado em Guaporé. Tem uma importância muito grande, não só na questão financeira, mas no dia a dia de cada munícipe. O Poder Executivo estará auxiliando no que for necessário para que possamos minimizar as perdas e, em questão de pouco tempo, recuperar as lavouras e principalmente a autoestima dos agricultores”, afirmou Bastian.

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