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Guaporé conta com 297 produtores de leite

por Eduardo Cover Godinho

Levantamento da Atividade Leiteira, realizado pela Emater/RS-ASCAR, destaca produção superior a 15 milhões de litros por ano

Foto: Divulgação

A Emater/RS-ASCAR apresentou na 44ª Expointer, pelo quarto ano consecutivo, o Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite. Coletados por mais de 2,5 mil colaboradores, o documento aponta uma queda de 52,28% no número de produtores de leite vinculado à indústria em quatro anos no Rio Grande do Sul. São 40.185 produtores, sendo 96,24% familiares, com média de produção de 278,14 l/dia. Mesmo com a diminuição, houve um aumento na taxa de produtividade de 183,5 litros/vaca/ano em virtude da profissionalização e uso de tecnologias para qualificação do manejo do rebanho, nutricional e sanitário, bem como a melhoria genética. A redução aponta como os principais fatores a falta da mão de obra, sucessão familiar e remuneração.

Os números não surpreenderam, conforme destacou o engenheiro agrônomo da Emater/RS-ASCAR – Escritório de Guaporé, Antônio César Perin. A quantidade de produtores que deixaram de lado a atividade leiteira e migraram para o plantio de soja, milho, trigo, suinocultura, avicultura, entre outros, tem aumentado gradativamente ao longo dos anos. Porém, apesar de todas as dificuldades, o município de Guaporé tem apresentado estabilidade quando o assunto é produção de leite e propriedades rurais que mantém a atividade plena, mesmo que ela ainda seja muito trabalhosa.

“A atividade leiteira é muito importante para o sustento da família e para a econômica do município como um todo. Temos um número significativo de produtores em Guaporé, não com grandes litragens. Porém, todos colaboram com a geração de pouco mais de 15 milhões de litros de leite por ano, ou seja, uma produção diária que gira em torno de 38 a 40 mil litros/dia. Há um processo, verificado em todo o Estado, de saída dos produtores, mas aqueles que ficam compensam com maior produção”, destacou Perin que, juntamente com os colegas da Emater/RS-Ascar contabilizou 297 produtores em Guaporé, sendo que deste total 200 entregam toda sua produção para as indústrias.

O documento da “Capital da Hospitalidade”, elaborado com apoio de entidades como o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural (COMDERG), Inspetoria Veterinária, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Secretaria Municipal da Agricultura, apontou ainda que 50 produtores rurais geram leite para o consumo próprio e venda eventual na foram de derivados como, por exemplo, queijo, nata e ricota. Cerca de 38 produzem apenas para o consumo familiar.

Segundo Perin, o volume econômico que circula em virtude da cadeia produtiva do leite em Guaporé é de aproximadamente R$ 30 milhões por ano.

“Esse montante acaba sendo movimentado nos estabelecimentos comerciais para a compra de insumos, despesas familiares e nas instituições financeiras/cooperativas de crédito. A cadeia do leite é democrática. Muito trabalhosa, mas rentável financeiramente se bem administrada. Os produtores têm optado em adequar o tamanho do plantel à sua capacidade de mão de obra, em especial. Verificamos, dentro do relatório, que a maioria possuí em torno de 10 a 20 animais em lactação”.

A Emater, ressaltou o engenheiro agrônomo, apresenta projetos aos produtores para diminuir as despesas e aumentar a produtividade. O viés de sustentabilidade, destacou Perin, é o pilar principal para a manutenção das famílias no campo.

“Se o produtor tem produção a pasto, ração própria nas propriedades, há um equilíbrio no processo. Estamos sempre analisando onde temos a possibilidade de reduzir custos, sem prejudicar a geração de leite. Nossa filosofia de trabalho é incentivar a autogestão, para que tenham um custo menor e que um número de animais compatível com a produção de alimentos da propriedade”, disse Perin, lembrando que o sistema de tecnologia de produção usado é o misto com pastagens, silagem e ração.

“Tem custo mais baixo. Esse é um sistema altamente competitivo. Bom destacar que temos também temos produtores em sistema de confinamento e semiconfinamento”.

Quanto aos desafios e as oportunidades, Perin afirma:

“O leite sempre teve altos e baixos em seu valor de comercialização do produtor para a indústria. É histórica essa gangorra da instabilidade. Porém, esse não é o maior desafio da atividade leiteira. Temos, por exemplo, problemas da sucessão rural e a melhoria da sanidade animal (zoonoses). Mas, bom lembrar que é uma atividade que ainda aceita produtores, tem oportunidade de venda e renda certa, apoio das entidades, existência de políticas públicas e produção com custo baixo”.

O relatório, encaminhado para a Emater/RS-ASCAR, apontou que Guaporé possui duas agroindústrias (Laticínio Sgorla e Alta Colina) que produzem queijo e outros derivados.

Central de Conteúdo Unidade Aurora

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